Toninho Andrade explica saída do Madureira
05/05/2021 23:48 em Novidades

 Treinador contou a razão que levou à sua demissão do Tricolor Suburbano

 

 

Por Bernardo Oliveira

Foto: Luis Miguel Ferreira (MEC)

 

No último dia 21 de março, após uma vitória sobre a Portuguesa por 1 a 0 em Conselheiro Galvão, o Madureira noticiou, depois da partida, a demissão de Toninho Andrade e de toda a sua comissão técnica, formada pelo auxiliar Denis Alves, o preparador físico Fabiano e o analista de desempenho, Thiago. Essa informação surpreendeu boa parte dos torcedores, já que o Madura vinha invicto no Carioca em quatro partidas, apesar da eliminação na Copa do Brasil diante do Paysandu (PA).

 

Desde então, Toninho não deu mais detalhes sobre o assunto. Porém, na última segunda (3), em uma live realizada na rede social Instagram, o agora ex-treinador do Tricolor Suburbano explicou os motivos que levaram à sua saída. De acordo com o comandante, a razão não foi relacionada a algum possível problema com dirigentes da Portuguesa, como foi especulado, e sim quanto à uma divergência com Márcio Duba, filho de Elias Duba, presidente do Madura:

 

-Eu fui chamar a atenção do delegado de que a gritaria na arquibancada estava muito grande, mas talvez eu tenha sido mal interpretado pelo pessoal da Portuguesa, pois não quis prejudicá-los, até porque eu tenho uma boa relação com o Marcelo (Barros, presidente da Lusa). Nessa pandemia, o Márcio praticamente se tornou o presidente e fizemos várias reuniões juntos. Durante o jogo, eu coloquei o Humberto (volante) no jogo e, quando fiz isso, o Marcio falou uma coisa a meu respeito e, na minha opinião, ele foi muito deselegante. Eu entendi aquilo como uma coisa desnecessária, pois ele usa meu nome e o do jogador – destacou Toninho.

 

O técnico também falou sobre a sua reação ao ouvir o que foi dito por Marcio e que culminou em sua demissão no vestiário após a partida, embora Toninho já tivesse se decidido a pedir demissão, mesmo vencendo o jogo:

 

– Durante o jogo, eu falei para uma pessoa da arquibancada, amiga minha, que tem ligações no Madureira: “Você já percebeu que desse jeito não tem como continuar, eu não vou aceitar esse tipo de situação”. Eu já estava muito chateado com tudo isso e já tinha decidido que ia pedir demissão, eu entrei no vestiário após o jogo para fazer isso, mesmo ganhando o jogo. Aí, alguém chegou para dizer que o Marcio iria no vestiário para me pedir desculpas. Eu pensei, bom, se ele fizer isso, por mim tudo bem, mas se ele entender que o que ele fez não merece um pedido de desculpas, eu vou agradecer e sair do clube. Só que, nesse intermédio, chegou uma mensagem, através do Cléber, gerente do clube, falando que toda a comissão técnica estava demitida porque, segundo o Marcio, eu quebrei uma hierarquia – explica Toninho, que se justifica:

 

– Eu entendo que não quebrei hierarquia nenhuma, não fui contra ninguém, eu estava fazendo o meu trabalho e entendo que naquele momento, mesmo ele sendo filho do presidente, não era um comentário a se fazer. Eu entendo que esse tipo de pessoa não é torcedor naquele momento, ele tem a imagem do dirigente. O torcedor tem direito de xingar, questionar, só não pode te bater. Eu não poderia ficar calado com aquela situação. Para mim, perder o emprego naquele momento foi ruim? Claro que foi. Estávamos bem na competição, só tivemos uma derrota para o Paysandu na Copa do Brasil, contra um adversário tradicional e num jogo em que não jogamos bem e o Paysandu mereceu a classificação. Não houve bate-boca entre eu e ele, ele tomou a decisão como presidente eu tomei a minha como treinador – ressalta.

 

Toninho Andrade aproveitou para ressaltar que não teve qualquer problema com Elias Duba que, segundo ele, sempre foi correto com o treinador e honrou seus compromissos até o fim:

 

– Meu problema não foi com o Seu Elias, eu tenho uma enorme gratidão e admiração por ele, mesmo entendendo que ele possa ter referendado minha demissão. O Madureira, mesmo com as dificuldades financeiras, honrou todos os compromissos e não me deve nada, e acredito que com os jogadores hoje também seja assim, porque o Seu Elias sempre foi correto com pagamentos. No Madureira, o dia 10 é o dia 10 – diz o treinador, que prossegue:

 

– Eu fiz um agradecimento numa rede social, marquei o Seu Elias e mandei uma mensagem para ele agradecendo, pois o meu sentimento com ele é de gratidão e isso não vai mudar, aonde eu estiver e ele precisar de mim, eu vou ajudar. Eu jamais cometeria uma ingratidão com ele. Eu acredito que ele possa estar chateado comigo e achar que não foi certa a decisão que eu tomei, e eu entendo perfeitamente, mas gostaria que ele entendesse que pessoas no meu lugar talvez se acomodassem, mas eu não sou assim – finalizou.

 

Agora comandado por Alfredo Sampaio, o Madureira volta a campo neste domingo (9), pelo segundo jogo das semifinais da Taça Rio, diante do Vasco, em São Januário. O Tricolor Suburbano tem a vantagem do empate para chegar à decisão do turno.

 

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